Sexta-feira, Setembro 04, 2009

Na sombra de um canto

Cabo Verde, Ilha do Sal - Dezembro de 2008, por João De

Na sombra de um canto
Que em meu quarto espera
Jaz o meu olhar
Jaz e não se altera

Faço-me de um pranto
Faço-me de mim
Quero-te num espanto
Num beijo carmim

Sopro que embebi
Minh’alma inquieta
Minh’alma estendi
E ficou aberta

Aberta num canto
Num quarto que é meu
Jaz o meu olhar
Meu olhar... no teu...
 
João De

Domingo, Agosto 30, 2009

Por entre os dedos


Grillon, França - Julho de 2008, por João De

Guardo-me num relógio de espuma
Por entre as horas que não fui...

O tic-tac passou...

E eu...?
 
João De

Sexta-feira, Agosto 28, 2009

Porque arde


Madeira - Maio de 2008, por João De


Porque arde a ilusão que não existe
Em verpertino olhar que humedece
O sopro da aurora que aparece
Em insular amor que em mim persiste

Porque acontece assim fervor distante
Que implode o bombear da agitação
Que escarpeando o som do coração
Reescreve a cor, o brilho em Ser constante

Não sei qual foi a pedra lapidar
Que em meus olhos a flor te viu brotar
No meio de um oceano adormecido

Não sei que vento o Olimpo irá soprar
Nem sei se quero sentir o teu roçar
Sei que no fim serei um perecido


João De

Auto-Glosa - em corpo



Em luz de nocturno me devaneio
Percorro, em gnose, a altura dos ventos...
Traçando guardas de resoluta inquietação,
Espremendo a brisa que de mim se oculta
E, gota a gota, o suor da ilusão...

João De

Sábado, Maio 17, 2008

VITA


madrugada em Colares - Maio de 2008, por João De

Suaves sucessões de sol transposto
Em asas de azevinho já esquecido
Transbordam as ideias de um olvido
Nas mãos de um vendaval que foi deposto

Não sopram não sorriem nem flutuam
Não compram nem darão a flor ao mundo
Em cegas correrias tecto ao fundo
Que as flores da figueira não amuam(!)

Quisessem tê-la feito em som algum
Quisessem poder tê-la por inteiro
Guardassem-na em alma de nenhum…

Pudessem eles vivê-la ah! pudessem
Em rosto de saudade um só canteiro
Quisessem só sonhá-la ah! quisessem…

João De

Segunda-feira, Fevereiro 11, 2008

Clarificações


Arrábida - Janeiro de 2008, por João De


Vem todo o meu inculto sobre ti
Passar essas vaidades que há no mundo
Não sei se sei que sei ou me confundo
Não sei se a vida é lá ou é aqui

A vida a que chamei a simples vida
Virou-se da virtude virtuosa
Chamou-me pela fama mais famosa
Fez-se Ter-me ela a mim em mim contida

Chamei-me opressor de sentimentos
Cuidei-me em ter o salmo dos lamentos
Pensei que tinha algo só em mente

Chamaram-me romântico um dia
Não sou um romântico. Só dizia:
Sou um ser, um alguém que apenas sente...


João De

Domingo, Janeiro 20, 2008

Estigma


por João De, Coimbra - Abril de 2007

Saúdo as sombras Inauditas!

Gargalhadas de topázio
Rebolaram

Encostei um dedo
ao cascalho

Sobrei, fiquei, desmenti

Em perenidade
Coloquei o Anel:


Pereci...

João De (Novembro de 2006)

Terça-feira, Junho 19, 2007

Quanto de mim tem partido


por João De, Ilha Terceira - Açores, Junho de 2007


Quanto de mim tem partido
Quanto de mim tem chorado
Quanto de mim encontrado
Quanto por ti fui perdido

Lágrimas que calo em brisa
Cairam sem sofrimento
Foram guardadas em bolsas
Em bolsas de esquecimento

Bolsas essas debruadas
Com fitas de ilusão
De um abraço onde me encontro
Em templos de Salomão

Se pudera ser quem sonho
Entretanto e outra vez
Seria a nesga de um sonho
Seria eu outra vez!

João De (em jeito popular)