domingo, agosto 30, 2009
Por entre os dedos
Guardo-me num relógio de espuma
Por entre as horas que não fui...
O tic-tac passou...
E eu...?
João De
sexta-feira, agosto 28, 2009
Porque arde
Madeira - Maio de 2008, por João De
Em vespertino olhar que humedece
O sopro da aurora que aparece
Em insular amor que em mim persiste
Porque acontece assim fervor distante
Que implode o bombear da agitação
Que escarpeando o som do coração
Reescreve a cor, o brilho em Ser constante
Não sei qual foi a pedra lapidar
Que em meus olhos a flor te viu brotar
No meio de um oceano adormecido
Não sei que vento o Olimpo irá soprar
Nem sei se quero sentir o teu roçar
Sei que no fim serei um perecido
Auto-Glosa - em corpo
Em luz de nocturno me devaneio
Percorro, em gnose, a altura dos ventos...
Traçando guardas de resoluta inquietação,
Espremendo a brisa que de mim se oculta
E, gota a gota, o suor da ilusão...
João De
sábado, maio 17, 2008
VITA
madrugada em Colares - Maio de 2008, por João De
Suaves sucessões de sol transposto
Em asas de azevinho já esquecido
Transbordam as ideias de um olvido
Nas mãos de um vendaval que foi deposto
Não sopram não sorriem nem flutuam
Não compram nem darão a flor ao mundo
Em cegas correrias tecto ao fundo
Que as flores da figueira não amuam(!)
Quisessem tê-la feito em som algum
Quisessem poder tê-la por inteiro
Guardassem-na em alma de nenhum…
Pudessem eles vivê-la ah! pudessem
Em rosto de saudade um só canteiro
Quisessem só sonhá-la ah! quisessem…
João De
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
Clarificações
Arrábida - Janeiro de 2008, por João De
Vem todo o meu inculto sobre ti
Passar essas vaidades que há no mundo
Não sei se sei que sei ou me confundo
Não sei se a vida é lá ou é aqui
A vida a que chamei a simples vida
Virou-se da virtude virtuosa
Chamou-me pela fama mais famosa
Fez-se Ter-me ela a mim em mim contida
Chamei-me opressor de sentimentos
Cuidei-me em ter o salmo dos lamentos
Pensei que tinha algo só em mente
Chamaram-me romântico um dia
Não sou um romântico. Só dizia:
Sou um ser, um alguém que apenas sente...
João De
domingo, janeiro 20, 2008
Estigma
terça-feira, junho 19, 2007
Quanto de mim tem partido
por João De, Ilha Terceira - Açores, Junho de 2007
Quanto de mim tem partido
Quanto de mim tem chorado
Quanto de mim encontrado
Quanto por ti fui perdido
Lágrimas que calo em brisa
Cairam sem sofrimento
Foram guardadas em bolsas
Em bolsas de esquecimento
Bolsas essas debruadas
Com fitas de ilusão
De um abraço onde me encontro
Em templos de Salomão
Se pudera ser quem sonho
Entretanto e outra vez
Seria a nesga de um sonho
Seria eu outra vez!
João De (em jeito popular)
sexta-feira, março 02, 2007
Um Carnaval
Vê uma ave voando parada;
Seus olhos luzem a luz que se perde
E a ave caminha. Anda camarada.
Duas garças com seu pescoço esbelto
Espanejam suas penas delicadas;
De salto alto, assim vão calimbando,
Dando ares... entre as suas tombadas.
Num mundo que tão cheio de vida está
Onde alguns dizem sempre: "Que queridá!?"
Pastam apenas bisontes agrestes
Quando elefantes passam por formigas,
Onde alguns dizem sempre: "Que amigás!?"
Ainda saltam, vibram os ciprestes!!
João De (Carnaval de 99)
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
Em retorno
quarta-feira, janeiro 03, 2007
Vidro martelado
quarta-feira, dezembro 20, 2006
Remanescência em facto

Venda Nova - Coimbra (12-2005), por João De
Em que olvidei em Sol poente
Sorri…
Quebrei…
Galopei a sombra
Mergulhei no vento…
Minhas mãos, em pétalas de rua, se esconderam
Mostrando a inquietude
O odor
O suspiro de quem sente
Perdi o coração, que era meu, perdi…
quinta-feira, novembro 23, 2006
terça-feira, novembro 21, 2006
Crepitar
Que Prometeu tentou roubar
Olhei, em salvas, a sombra do ardor
Quem em meu peito, amor,
Nada fez senão pairar…
João De
terça-feira, novembro 14, 2006
Colecção
Sofreria a maldição de ter um passado presente
João De
O que fala o Tempo (às vezes)
Num desfile de pensamentos
Vi correr suores lamentos
Sobre os espinhos de um cardo
No desfile em que passavam
Saudades, Sonhos, Amores
Sorriam certos actores
Da vida que não levavam
Sorriam todos de esguelha
De maneira a que a Ausência
Com toda a sua ciência
Não se mostrasse de velha
Sacudiam a poeira
Do comodismo barato
Olhando, então, ao retrato
Que ali estava à sua beira
Em sobressalto miraram
A figura tresloucada
Que parecia parada
Aos olhares que não ‘stancaram
A alta figura sombria
Trazia a perenidade
Sulcos na face, a idade
De quem tudo viveria
Era o Tempo quem lá ‘stava
Mirando gados e povos
Tendo pena dos mais novos
De quem a vida guardava
Inclinou-se pra ninguém
Abriu a boca e soltou
Um gemido que tocou
Para além do mais-além
Sorriu pra todos de igual
Dizendo numa batida:
Só a Morte é imortal!»
João De
segunda-feira, novembro 13, 2006
Mimo
Na flor que não vier
Encontrei a vastidão
Somei aos mares o fotão
Que na sua imensidão
Fez-se de águia fugida
Ternura flor que colheste
Na verdura do cipreste
No horizonte da lua
Colheste, desfolhaste
A flor que no contraste
Nada era senão bruma
João De
sexta-feira, outubro 27, 2006

Flórida - EUA (2005), por João De
Um caminho pernoitado. Relembro na sombra de cada palavra o pensamento que outrora tive. Engraçado, porque relembro. Bem…, talvez porque os lôbregos sentidos o permitam. Não sei, se os quisesse recordar bastava pensar novamente. Era tão bela… pois era… uma beleza em imperfeito pretérito!
Sinto falta (!) mas acho que de coisa nenhuma. A regalia ilusória de muitos transborda na afectação de poucos (não invejo, mas fico intelectualmente feliz).
Oiço Harlod budd / Brian eno, the pearl… Curioso como a própria música invade e presenteia com a boiante sensação de um encontrar desesperante em si. A busca com que se refaz, exalta a comodidade do desconcerto.
Ahh... qualquer normal fomentador de inadequadas sensações não intelectualizadas ouvirá repouso em palavras que não o são. Parabéns!!
Cuido do ar como se de mim cuidasse. Em venturas o trago guardado para que pó algum se acomodasse. Permaneço na constância de não partir. Evoco a perplexidade do sonho que não tive para igualar a audácia da brisa que se me impõe. Prescrevo as ondas do cabelo, o deslocar de lábios e a branquidão taciturna do olhar…
Enfim, a vida que o é!
Quem desesperadamente procura, mais desesperadamente desiste…
Entrego-me, em sopro, ao calor do gelo.
Como é bom em claridade…
Uma questão pueril

Sesimbra (2005), por João De
De que vale um sonho feito?
De que vale a felicidade?
De que vale um olhar teu,
Se não me o dás de verdade?
De que vale a epopeia?
De que vale grande escritor?
De que vale um grande herói,
Se não tem um grande amor?
De que vale o mundo inteiro?
De que vale ter um brasão?
De que vale toda a fortuna,
Se não me dás afeição?
De que vale a guerra inteira?
De que vale a luta feia?
De que vale um D.Quixote,
Se não tem a Dulcineia?
João De
segunda-feira, outubro 23, 2006
Provir

Alfarim (2003), por João De
Cravei no espinho
A suavidade do fogo da loucura
Sangrou…
Mastiguei o tempo
Consumi verdades
Galguei a perenidade do que foste
Em pérola de jasmim
A flor das Eras
Que em pétalas de quimeras
Te transporta
Abriu…
Libertou do fundo
Um azul profundo
e... sussurrando... e.x.t.i..n..g..u...i...u......
João De
quinta-feira, outubro 19, 2006
Quadras de tempos idos
Pelos sonhos já formados
Calam cantos dos alentos
Cegam troços destroçados
Minh'alma de sonhos vagos
Percorre o Sonho que existe
Na distância do que é triste
No caminho dos afagos
Uma pessoa que fere
A vida que sempre quis
Faz coisas que contradiz
O Sonho que lhe confere
A penumbra que existiu
Na vela dos mastros meus
Sossega a vida de um deus
Onde a morte já partiu
No contraponto da luz
Da seda por nós tecida
Cresce a vida merecida
Pelo vento que conduz
Se ao menos a vida desse
Um sol que navega e cai
Fossemos nós um tal pai
Para quem a merecesse...
João De (adolescente)

